México elege a primeira mulher como presidente

As eleições gerais mexicanas foram realizadas em 2 de junho, cuja vencedora no pleito presidencial foi Claudia Sheinbaum.

O México foi dominado politicamente pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), que ficou no poder de 1930 até 2000. Após alterar o poder com outro partido (PAN) nas próximas duas eleições, em 2018 vê a chegada à presidência de Andrés Manuel López Obrador, fundador do partido MORENA. Haja vista que o mandato é de 6 anos, sem 2º turno e sem a possibilidade de reeleição, Obrador é o mentor de Cláudia. Cabe salientar que AMFLO, como é conhecido Obrador , deixa o cargo com um grande aceite popular.

 Eleita como a primeira mulher presidente do país, sua vitória não chega a ser uma surpresa, apenas pela intensidade da vitória. Como visto, no Parlamento (governo 74 e a oposição 52) Sheinbaum terá maioria, e portanto, mostra a força da sucessão de Obrador. Ela terá, a possibilidade de efetuar as reformas Constitucionais e políticas econômicas heterodoxas que propõem, cuja promessa de campanha é a busca pelo equilíbrio das contas públicas e sociais.

A nova presidente terá enormes desafios pela frente. Economicamente o país dos astecas apresenta um déficit fiscal de cerca de 6%. Além disso a dívida pública tem se elevado, e o baixo crescimento de 0,8% nos últimos anos mostra a necessidade de variar o comércio internacional, este, muito dependente dos Estados Unidos. Um fato que chamou a atenção foi a reação do mercado após a vitória de Sheinbaum, cuja bolsa caiu e o peso desvalorizara.

Outra questão que merece destaque é a imigração. Este tema ganhou mais destaque com a recente declaração do presidente norte-americano Joe Biden, que endureceu sua política alegando a possibilidade de fechar as fronteiras. Além disso essa situação pode ser ainda mais conflitante caso Donald Trump vencer as eleições norte-americanas, marcadas para novembro deste ano.

Junto a esse tema, o maior desafio de Sheinbaum é sem dúvida alguma o crescimento da violência ligado aos cartéis do narcotráfico. Somente nessa eleição, 30 candidatos foram assassinatos, além de que desde 2006, cerca de 450.000 pessoas foram assassinadas e mais de 100 000 estão desaparecidas.

A eleição de uma mulher para o cargo máximo mostra uma vitória histórica para Sheinbaum e para a classe feminina. Cabe ao tempo dirá se ela conseguirá de fato deixar a sua marca na política, ou mostrar que foi eleita na sombra de seu mentor, López Obrador.

Eleições no Parlamento Europeu

A União Europeia é uma união econômica e política formada por 27 países, que no período de 6 a 9 de junho foi às urnas para eleger os 720 membros do Parlamento. Esse é o 2º maior processo eleitoral do mundo, ficando somente atrás da eleição indiana. A eleição parlamentar do bloco é constituída pelo sistema representação proporcional, ou seja, cada país recebe o número de assentos com base no seu tamanho populacional. A Importância do Parlamento Europeu se dá, pois é o órgão que aprova ou rejeita a legislação da União Europeia e toma decisões sobre o orçamento do bloco. Também supervisiona a Comissão Europeia, o órgão executivo a quem cabe formular as leis.

O resultado da eleição mostrou que os partidos de centro saíram vitoriosos e continuam como a principal força do continente. Ademais, notaram-se o avanço de partidos de direita mais conservadoras, embora esse aumento significativo, não chegam a alterar os equilíbrios de poder no bloco como um todo. Já os derrotados no pleito foram os liberais e os verdes sobretudo nos dois principais países do bloco, França e Alemanha respectivamente.

É importante notar que após a derrota nos números eleitorais, o presidente francês Emmanuel Macron dissolve o Parlamento e convoca novas eleições no país. O primeiro turno está programado para dia 30 junho, e o segundo para dia 7 de julho. O dispositivo usado é legal e consta na constituição francesa, lembrando que a eleição mexerá apenas no parlamento e não no presidente, que permanece no mandato até 2027. Essa decisão de Macron é uma aposta dele, acreditando que o comparecimento nas votações para o Parlamento Europeu foi de somente 51%, sendo resultado de uma mobilização da direita conservadora e não do povo francês como um todo, além de que a situação atual exige uma forma para que o cenário político seja mexido. Essa manobra é muito arriscada para o atual presidente, colocando mais um elemento de incerteza no cenário do país.

A União Européia é o segundo parceiro comercial do Brasil, atrás somente da China. A composição do parlamento mostra que certamente o acordo Mercosul-EU deverá ficar em stand by. As consequências das eleições parlamentares europeias já foram percebidas pelo mercado, onde bolsas europeias apresentaram queda, como a CAC40 da França, onde viu cair 1,35%. Os números mostraram que em um momento de mudanças tecnológicas, crescente imigração e insegurança devido à Guerra na Ucrânia, a população europeia está priorizando mais temas relacionados à economia e segurança do que as ideologias usadas atualmente.

A visita do vice-presidente Geraldo Alckmin à China

O vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin fez uma visita de quatro dias na China, resultado da 7ª Reunião da COSBAN (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concentração e Cooperação). Esse mecanismo é usado há 20 anos como forma de promover o diálogo e a cooperação dos dois países. Ademais, marca também o 50° aniversário dos laços diplomáticos dos países, para fortalecer de forma abrangente os intercâmbios em diversas áreas.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, com cerca de U$ 180 bi em comércio bilateral em 2023. A visita de Alckmin é apontada como uma iniciativa para preparar a adesão brasileira do Projeto ICR , onde países como Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela já aderiram. Além disso, serve para aprofundar o compromisso de uma maior parceria estratégica global entre os dois países.

Dentre as principais consequências do ato estão o levantamento cerca de R$ 26 bi em financiamentos chineses para o Brasil. Além disso a promoção comercial de produtos brasileiros, como o acordo de exportação de café, equivalente a US$ 500 milhões nos próximos anos para a rede Luckin Coffee. Outro acordo originado foi a habilitação de 42 frigoríficos brasileiros, dado que 11 estavam suspensos pelas autoridades chinesas.

O crescimento da economia chinesa depende dos produtos agro, da pecuária e minérios, cuja cerca de 75% das exportações de minério de ferro, soja, petróleo vão para o mercado chinês. Isso mostra o potencial do Brasil como um protagonista em segurança alimentar, compondo um dos maiores do mundo na área. Outrossim, a China é o 8º maior investidor no Brasil, apresentando um aumento no Investimento Estrangeiro Direto (IDE) de U$ 8 bi em 2010 para U$ 37 bi em 2022.

 O Brasil disposto a aumentar a sinergia no mercado mundial, e a China representa um dos maiores mercados além de uma economia pujante. Entretanto o governo deveria priorizar o intercambio tecnológico com os asiáticos. A China é um país sabidamente bem desenvolvida no ramo tecnológico, e nosso comércio bilateral é marcado pela importação de semicondutores, smartphones etc. e exportamos produtos agrícolas, minérios etc. Enquanto não tivermos um maior investimento em P&D e gerarmos indústrias com produtos de maior capacidade e valor agregado, continuaremos a vender sacos de cafés a preços irrisórios e importando cápsulas com algumas gramas pagando muito mais caro.

A cimeira do G7 na Púglia, Itália

O Group of Seven (G7) é uma organização informal de líderes de algumas das maiores economias do mundo: Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Canadá, Itália e Japão. Anteriormente esse grupo se chamava G8, entretanto a Rússia foi suspensa em 2014, dado que o país anexara a região da Criméia. Esse agrupamento se reúne anualmente em uma cúpula, para discutir questões urgentes no cenário global e coordenar políticas. Esse ano o encontro fora na Púglia, Itália, sendo que diversos países foram convidados para o evento, como o Brasil, Índia, entre outros. Ao término de cada cúpula, os países assinam um comunicado em que afirmam qual os compromissos políticos adotados para o próximo ciclo. O objetivo principal é que as decisões do Grupo dos Sete tenham influência na governança global em diversos organismos internacionais e colegiados.

Dentre os principais interesses do G7 nesta edição estão mandar um recado à Rússia. Além disso um aviso para que a China pare com a ajuda aos russos para sair das sanções. Ademais, soma-se a preocupação com o excesso de capacidade industrial chinesa, acusada de dar subsídios à suas empresas e fazendo com que o comércio fique mais desleal.

Ao final da cimeira os resultados foram a declaração de um pacote de U$ 50 bilhões de ajuda à Ucrânia, com o uso de ativos congelados russos. Outro momento foi a assinatura de uma ajuda norte-americana à Ucrânia por 10 anos em segurança, embora o acordo não levará ao posicionamento de tropas americanas diretamente na defesa da Ucrânia.

 O que chamou a atenção do evento foi a tentativa do G7 de atrair o Brasil e outros países periféricos, que não estão convencidos ideologicamente ainda pela China. Dessa forma o grupo tenta mostrar frente ao avanço chinês, reconstruindo essa conexão e tentando trazer para si esses países fora da esfera da influência de Xi Jiping.

FII Priority Summit no Rio de Janeiro, o interesse saudita

Na quarta-feira, dia 12 de junho, no Rio de Janeiro aconteceu o FII Priority Summit, cujo evento discutiu sobre investimentos na transição ecológica, tecnológica e inovação e como a inclusão social pode construir uma nova ordem global de priorize a dignidade à todos.

A cúpula que já acontece em sua segunda edição em Miami, é feita pelo Future Investment Iniative Institute ( FII), uma organização administrada pelo Fundo de Investimento Público, o principal fundo soberano da Arábia Saudita. Esse evento é  um  recente passo para maior engajamento do país com a região

Em agosto de 2023 o Ministro de Investimento saudita Khalid Al Falih visitou 7 países na América Latina, com o objetivo de explorar oportunidades fortalecer e aprofundar parcerias de investimento. Esse empreendimento é muito importante para o país que busca diversificar seus investimentos mundo afora, e depender cada vez menos do petróleo.

A Arábia Saudita já fez a Cúpula com o CARICOM (Comunidade do Caribe), com o intuito de diversificar suas relações comerciais com a região. Na América do Sul, a estatal saudita Aramco adquiriu a Esmax, e fez o seu 1º posto de gasolina no Chile. Entretando é no Brasil que o país vê suas oportunidades na região. O Brasil é o maior exportador mundial de carne halal, além de ser um grande provedor de minério de ferro, soja etc. Diversas empresas brasileiras já se beneficiam de oportunidades no mercado saudita, como a BRF que já fez uma joint venture com uma empresa local, a Vale vendeu U$ 2,5 bi  (10% de unidades metais básicos) para a Manama Minerals, que é uma joint venture da Ma’aden com a PIF ( Fundo de Investimento Público). Isso sem contar a Embraer, cujo governo de Riad estuda a possibilidade de uma linha de produções para alguns aviões da empresa.

O Brasil é um país vasto, com oportunidades para investimentos sauditas,
além de ser um player global. Membro do G20, país convidado da OPEP+, membro do
BRICS, tudo isso faz com que a Arábia Saudita diversifique suas relações. A ideia
do príncipe herdeiro saudita Mohammad bin Salman é depender cada vez menos dos Estados Unidos, e para isso, busca desenvolver sua relação com o máximo de players possível. como a China, Rússia, Brasil e até mesmo a reaproximação com o arquirrival Irã.

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