A República da Índia é um dos poucos países do mundo que de tão singular, tornou-se adjetivo quando explicado.

 A recente marca alcançada de ser o país mais populoso do mundo, somada à ascensão para quinta maior economia do mundo, faz da Índia um dos poucos países candidatos à superpotência, e fazer frente à China na Ásia.

Porém, esse boom é recheado de oportunidades e desafios, cujo tempero adicionado é a eleição presidencial iniciada em 19 de abril. Narendra Modi leva a vantagem, e poderá consolidar seu terceiro mandato seguido, cabendo a ele o timão para guiar (ou não) a Índia para esse objetivo.

Boom populacional

Recentemente a Índia tornou-se a nação mais populosa do mundo, com 1,418 bilhão de pessoas. Dentre os países em desenvolvimento é a nação mais jovem, com média de idade de 28 anos, e incrível número de aspirantes à classe média, configurando 1 a cada 3 indivíduos.

            Somada a esses números, é importante destacar que configura o maior grupo de graduados que fala inglês no mundo, indispensável para os negócios internacionais. Além do mais, devido à enorme concorrência local, de que o jovem se sobressaia nos estudos. Assim como na China, a educação é levada a sério, e há cobrança tanto do mercado, parentes e por si mesmos, de serem sempre os melhores.

            Entretando, o índice de desemprego beira os 8% entre jovens de 15-29 anos, afetando os gastos do consumidor final e diminuindo o poder de compra, além de impulsionar para o cometimento de crimes e agitação social.

Outro ponto que merece ser mencionado é a fuga de cérebros ao exterior. Estima-se há cerca de 18 milhões de indianos que foram ao exterior para buscar melhores oportunidades de vida, e o número continuará a crescer nos próximos anos.

Economia e Cadeia Global de Valor

A economia da Índia também merece destaque, com um PIB de US$ 3,41 trilhões em 2022, o país se tornou a 5ª maior economia do mundo. E a tendência é que continue crescendo com o decorrer dos anos, fazendo com que um estudo do renomado banco Goldman Sachs prevê o país sendo a 2ª maior economia do mundo até 2075, atrás apenas da China.

Outro ponto a ser notado, é a configuração da Índia nas cadeias globais de valor. Entende-se por cadeias globais de valor, ou CGV, um conjunto de atividades e processos que ocorrem ao redor do mundo dentro do contexto produtivo global. Em resumo, são uma série de atividades que, somadas, permitem a elaboração do produto ao consumidor final. Portanto, participar de uma CGV passou a ser objetivo político de diversas economias ao redor do globo.

A Índia por exemplo, em 2022, incentivou 14 setores, tais como: têxtil, farmacêutico, módulos solares, além de ampliar investimentos em sua infraestrutura. O total de estradas por exemplo, tiveram um aumento em 60%, assim como o número de aeroportos, antes 74 para 150 no total agora. Digitalmente o país também aumentou sua capacidade, sendo a 2ª maior população com acesso à internet.

Embora a participação indiana nas CGV serem ainda com atividades de baixo valor, como montagem de produtos e suporte, o país vem atraindo inúmeras corporações globais. No ramo eletrônico, o país é o 2º maior produtor de celulares do mundo, sendo que a Samsung inaugurou a maior fábrica de celulares do mundo no país, em Nova Delhi. Outra gigante, Foxxcon, tem planos de produzir 25% dos iphones em 2025, na sua planta fabril em Tamil Nadu.

Empresas como Amazon e Microsoft também estão investindo bilhões em data centers, assim como a Mondelez efetua a inovação e desenvolvimento de produtos a partir de centros técnicos em Mumbai. O país dos marajás é casa de 40% de centros tech para grandes corporações, entregando alto valor como inovação de produtos e Inteligência Artificial. Acompanhado disso o crescimento de startups, de uma centena em 2014 para 125.000 registradas atualmente.

Um fator que também merece destaque é que 25% dos CEOs de empresas listadas na S&P 500 nasceram na Índia (S&P 500: índice que compõem as 500 maiores empresas norte-americanas que possuem ações com negociação na bolsa de Nova Iorque). Isso permite conectividade com a terra natal e integração com CGV. Ademais, 25 empresas globais são lideradas por indianos: Onlyfans, Microsoft,  Google , Vimeo, Adobe,Fedex e IBM.

Polarização política

Narendra Modi, líder do país e que busca seu terceiro mandato, é considerado por muitos uma pessoa populista, tecnocrata, nacionalista e controversa. Ele, assim como a própria Índia, também representa ao mesmo tempo os valores tradicionais, conservadores e cosmopolitas.

 As eleições iniciadas em abril e que finalizarão em junho de 2024, dão como certa a reeleição de Modi como líder, entretanto cabe aguardar para saber a taxa de aprovação e suas consequências. A oposição acusa Modi de ser autoritário, alegando a prisão do líder oposicionista Arvind Kejriwal (acusado de corrupção) e sanções impostas por violações fiscais ao principal partido oposicionista, feita próxima das eleições.

Outrossim, Narendra Modi em 2019 revogou o artigo 370, alterando o estatuto autônomo especial das regiões de Jammu e Caxemira, que autorizava o governo central indiano a legislar apenas nas áreas de Defesa, Relações Exteriores e Comunicação nesta região. Através da Hindhutva, ideologia política que promove o hindu como força política e cultural dominante na India, Modi é acusado de crimes de ódio contra muçulmanos, inclusive de orquestrar execuções extrajudiciais no Paquistão com o pretexto de que seriam terroristas. Outro exemplo é a Lei aprovada que facilita a obtenção de cidadania para minorias religiosas a não muçulmanos do Paquistão, Afeganistão e Bangladesh.

Entretanto por outro lado, Modi tem feito políticas que buscam acelerar o desenvolvimento do país. Dentre elas estão o processo de digitalização do serviço público, reformas fiscais, campanhas para o saneamento básico, e a revisão de processos para diminuir a corrupção.

Diplomacia indiana

A diplomacia indiana é conhecida por ser muito habilidosa e guiada pelo não alinhamento-histórico (1956) durante a Guerra Fria, que não se alinhou nem aos Estados Unidos nem a União Soviética, potências dominantes na época.

Um exemplo disso e muito questionada pelos norte-americanos e europeus, foi a posição neutra na recente invasão da Rússia na Ucrânia, inclusive driblando as sanções internacionais ao comprar petróleo russo mais barato.

A experiente política externa indiana utiliza da participação como membro de numerosas instituições regionais e multilaterais para exercer seu jogo diplomático. É importante notar que o país busca cooperação com grupos antagônicos de poder, mostrando que busca diversificar suas relações. De um lado é membro da” Organização para Cooperação de Xangai “(junto com China, Rússia, entre outros), de outro com a “Diálogo de Segurança Quadrilateral” ou “Quad” (com Japão, Estados Unidos e Australia). Além disso é membro do BRICs, grupo que também tem como membros: Brasil, Rússia, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Além da importância dada à grupos multilaterais, o país tem grande influência também em grupos financeiros internacionais como a Organização Mundial do Comércio e ao Fundo Monetário Internacional. Ademais busca sempre ampliar seus acordos de livre comercio, feitos já com Japão, Coréia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Cingapura, Malásia, Tailândia. Em contrapartida, assim como o Brasil, detém uma longa tradição protecionista, como o banimento de exportação de arroz, trigo e açúcar.

            Geopoliticamente a Índia é um player ativo no Sul Asiático, e que ultimamente tem trabalhado para exercer seu poder na região. Recentemente suspendeu as restrições de exportação das Ilhas Maldivas, após aproximação do governo de Malé com a China. Outro exemplo é a influência no Nepal, cujas alegações são de que Nova Delhi dá suporte aos protestantes que buscam a volta da monarquia ao país. Entretanto é com o rival histórico Paquistão que as tensões estão voltadas. Dominadas por uma violência política, somada à conflitos étnicos, colapso econômico e às instituições quebradas, o Paquistão é um barril de pólvora que pode estourar a qualquer momento. Detentora da bomba atômica e que disputa a área da Caxemira junto com a Índia, merece atenção global frente à acontecimentos e potenciais escaladas do conflito.

Todavia a vizinha China é outra preocupação para a diplomacia indiana. As recentes tensões fronteiriças e confrontos na região de Ladakah são somadas à questão do Tibet. Cabe lembrar que na Índia estão o maior número de refugiados tibetanos, e será sempre pauta das discussões dos primeiros-ministros indianos a partir de agora.

O mundo Ocidental espera que a Índia equilibre sua influência da China na Ásia, e para tanto, aposta na migração de suas companhias para a Ásia do Sul, alegando possuir um ecossistema mais favorável.

A Índia é hábil ao proteger seus interesses enquanto mantem laços com seus parceiros comerciais, possuindo suas próprias aspirações. Ela busca ser reconhecida como um player não pertencente ao Ocidente, sem ao mesmo tempo ser anti-Ocidental.

Conclusão

Temos a possibilidade de presenciar a ascensão nas próximas décadas da Índia como superpotência mundial. Os dados demográficos e econômicos corroboram com o atual apoio Ocidental, que tem como objetivo brecar o domínio chinês.

Por si só, o fato de o país dos marajás em poucas décadas demonstrar aos demais países, principalmente ao Brasil, que assim como a China, o planejamento e a educação são primordiais no desenvolvimento de uma nação. Além disso, principalmente se a aspiração for ser uma superpotência.

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